Lula liderando o governo em 02/03/2024, segundo Elio Gaspari

Caro senhor, Estou entrando em contato porque observei que, após se envolver em uma polêmica com os judeus, o senhor se explicou afirmando que nunca mencionou o Holocausto. Analisando exatamente suas declarações, a sua afirmação está correta. Vou recapitular. Durante sua estadia em Adis Abeba, o senhor proferiu as seguintes palavras: “O que está ocorrendo […]

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Caro senhor,

Estou entrando em contato porque observei que, após se envolver em uma polêmica com os judeus, o senhor se explicou afirmando que nunca mencionou o Holocausto. Analisando exatamente suas declarações, a sua afirmação está correta. Vou recapitular.

Durante sua estadia em Adis Abeba, o senhor proferiu as seguintes palavras: “O que está ocorrendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não tem precedentes na história. Aliás, aconteceu quando Hitler decidiu exterminar os judeus”.

Posteriormente, ao se explicar, o senhor esclareceu: “Não tentem interpretar a minha entrevista. Leiam a entrevista e parem de me julgar com base nas declarações do primeiro-ministro de Israel. […] Em primeiro lugar, eu não mencionei a palavra Holocausto. Foi o primeiro-ministro de Israel quem interpretou dessa forma. A segunda questão é que, morte é morte”.

Então, presidente, tudo se resumiu a cinco palavras: “Hitler decidiu exterminar os judeus”. O senhor acredita realmente que fui eu quem tomou essa decisão, resultando em uma máquina que eliminou 6 milhões de pessoas?

Judeus foram mortos antes e depois de Hitler, mas somente durante o meu governo ocorreu o que hoje é chamado de Holocausto. Não existe um sem o outro.

Durante todo o meu período no Reich, persigui os judeus e tudo o que lhes aconteceu teve o meu apoio e incentivo. Mas escrevo para esclarecer que nada do que ocorreu foi exclusivamente culpa de Hitler.

Novamente, recapitulando e focando no período após a chegada dos europeus à terra que o senhor governa:

Na Páscoa de 1506, 2.000 judeus foram massacrados em Lisboa. Em 1647, Isaac de Castro foi queimado vivo no Terreiro do Paço, ele havia vivido em Pernambuco e na Bahia. Em 1739, Antônio José da Silva Coutinho, um judeu nascido no Rio e escritor teatral, foi a vítima.

Aqui onde estou, convivo com vários papas, mas preferem não ser mencionados. Com apenas cinco anos de idade, Edgar Degas, renomado pintor francês, expulsou uma jovem de seu ateliê por suspeitar que ela fosse judia.

No início do século XX, quando comecei a denunciar os judeus, não estava sozinho. O Imperador da Alemanha, Guilherme 2º, que estava exilado, expressava seus pensamentos sobre os “parasitas”, indicando o uso de gás como melhor tratamento para eles.

Como Adolf Hitler, nunca estive sozinho. Acredito na expulsão dos judeus da Palestina e, mais uma vez, não estou sozinho. A guerra em Gaza é prova disso.

Ao afirmar que eu decidi matá-los, o senhor exagera. Tornar-me bode expiatório é fácil, porém inútil. Adolf Eichmann é um exemplo: ele deportou centenas de milhares de judeus para campos de extermínio e, quando capturado na Argentina pelos judeus, alegou que não era antissemita, apenas seguia minhas ordens.

É verdade que ele cumpria ordens, porém analise a lista de presença na reunião que estruturou a Solução Final, ordenada por mim, em Berlim, em 1942, com 15 participantes, incluindo Eichmann.

Após o término da guerra e minha vinda para cá, as responsabilidades foram direcionadas a mim. Dos 15 participantes, 2 haviam falecido, 1 se suicidou, 3 foram executados e 2 desapareceram. Restaram 7, que receberam penas brandas. Um deles, após cumprir a pena, conseguiu um emprego público. Foi julgado novamente em 1951 e condenado a pagar uma multa equivalente a cerca de US$ 100 nos dias de hoje.

Desejo-lhe sorte e Heil Hitler!

Adolf

Demétrio Magnoli expressou sua opinião sobre Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, destacando que seu governo, em coalizão com extremistas de direita, enfrentou desafios como as manifestações populares e os ataques do Hamas. A guerra interminável tornou-se sua tábua de salvação, levando-o a anunciar a expansão da invasão militar na área de Rafah, desafiando até mesmo os EUA.

Originalmente publicado em: [Fonte do artigo original]

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Carlos Santana

Carlos Santana

Jornalista chefe

Jornalista e redator chefe do Jornal da Net.

São Paulo, SP.

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