O valor da família: reflexões sobre o tema – 05/03/2024 – Lorena Hakak

Numa recente conversa com uma amiga, ela compartilhou comigo uma questão que a preocupava: aos trinta e poucos anos, estava em dúvida entre esperar por uma melhor posição no mercado de trabalho e ter filhos. Essa indecisão não é exclusiva dela, mas sim compartilhada por milhares de mulheres. O momento ideal para ter o primeiro […]

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Numa recente conversa com uma amiga, ela compartilhou comigo uma questão que a preocupava: aos trinta e poucos anos, estava em dúvida entre esperar por uma melhor posição no mercado de trabalho e ter filhos. Essa indecisão não é exclusiva dela, mas sim compartilhada por milhares de mulheres. O momento ideal para ter o primeiro filho ainda é incerto.

Considerando a sobrecarga da maternidade que recai sobre as mulheres, a tomada de decisão se torna ainda mais complexa. Estudos científicos do Brasil e de outros países mostram que a diferença salarial entre homens e mulheres aumenta consideravelmente após o nascimento do primeiro filho.

Diante desse cenário, o que aconselhar para minha amiga? Deve ela adiar a gravidez? A questão biológica é implacável, especialmente para as mulheres. Muitas tentam engravidar após os 40 anos, mas isso aumenta os riscos de complicações e gestações de alto risco. Congelar óvulos poderia ser uma alternativa viável, porém, o custo elevado torna essa opção restrita a poucas mulheres. Abandonar a carreira é uma opção radical e injusta, pois nenhuma mulher deveria ter que escolher entre a carreira e a família.

É notório que muitas mulheres buscam trabalhos mais flexíveis, ainda que estes geralmente sejam menos remunerados e exijam menos horas de trabalho. Ao longo do tempo, essa escolha reflete na disparidade salarial entre homens e mulheres, assim como na menor probabilidade de promoção para elas.

Para combater essa sensação de impotência que muitas mulheres enfrentam, é crucial buscar soluções no âmbito familiar e social. Os homens precisam assumir com responsabilidade seu papel como pais e compartilhar equitativamente os cuidados com os filhos. Contudo, nem sempre essa divisão acontece de forma igualitária.

É comum ver arranjos familiares onde um dos cônjuges opta por um emprego mais flexível, enquanto o outro busca um mais exigente, o que acaba impactando no equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A sociedade também precisa avançar para reduzir as disparidades de gênero e na divisão dos cuidados, seja através de leis mais modernas, ampliação de creches de qualidade ou mudanças nas práticas do setor privado.

As mulheres, que em média possuem maior escolaridade que os homens, têm todo o direito de buscar oportunidades consideradas “ambiciosas”. Mudanças de atitude dos parceiros, pais e da sociedade como um todo poderiam trazer alívio para as decisões das mulheres e promover uma maior equidade no mercado de trabalho.

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Carlos Santana

Carlos Santana

Jornalista chefe

Jornalista e redator chefe do Jornal da Net.

São Paulo, SP.

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